memórias de uma alma necrosada

um bar a meia noite//dinheiro embolado//salto torto//rua umida e imunda//a chave cai no chão três vezes e só então aceita rodar na porta//bagunça// restos de outra vida// restos de alguém que um dia existiu de verdade//tira os sapatos//tira blusa, a calça// um frio do caraleo// chega na janela sem perceber que os vizinhos podem notar que ela só usa roupas intimas// a respiração imbaça o vidro//logo se cansa// vai até o banheiro, o espelho// o lápis borrado no olho,mancha que água nenhuma tira//olhos foscos// pensa como poderia ter sido// resolvo dormir// a cama cheira a sexo, e isso irrita mais do que se possa imaginar//vai dormir no sofá assim como fez com ele//maldito// deveria te-la deixado aquela mesma hora, pra dar tempo dela sentir raiva//cheira a almofada//mofo//percebe como tudo a sua volta esta mofado//olha pra si mesma, poderia até estar verde e umida// já fora parte da decoração o suficiente, podia se acostumar com o mofo//lembro da irmã que sofria de asma, morreria ali dentro//assim como morreu quando a porta foi batida em sua cara em uma certa tarde//não deveria ter mexido no alcool//era difícil explicar os outros como era a sensação de se sentir viva bebendo//era a unia coisa que a deixava feliz, além do gato que também fugiu como todos os outros seres vivos daquele apartamento//agora só restava os fantasmas//restos de suor de espíritos que a assombravam quando tentava emergir//sempre tinha algo para puxa-la de volta//sempre ouve a maldição da infelicidade em sua alma//odiava se fazer de coitada//odiava estar até mesmo viva//quantas tentativas de resolver aquilo?//três com quase sucesso//sempre muito sangue//era quase magico saber que ainda sobrava alguma coisa dentro dela disposta a sair// já estava tudo acostumado demais para mudar//para sair//a não ser aquela poça de um liquido vermelho que saia sem parar//agora vê as marcas//não se lembra da dor//mas de lembra de tudo como se pudesse fazer novamente//na manhã em que sua mãe entrou no banheiro que um dia fora imaculadamente branco// soluçava como nunca antes//ara falar a verdade já tinha passado por aquilo//do dia da morte do pai //fodido// ala sempre pensou que ele tinha sido covarde//agora somente o entendia//via nos olhos da mãe que aquilo não fora surpresa// uma corda, uma cadeira caída e uma casca morta balançando no teto // gritos // pra falar a verdade, todos os berros foram abafados pela culpa // agora a própria filha também conhecia o inferno // a caçula, a que todos sentiam obrigação de amar // conhecia o inferno assim como seu pai// a única diferença é que ainda estava viva// ou semi-morta// ninguém nunca entendeu // ninguém nunca aceitou // tudo poderia ser perfeito // era só seguir o plano familiar // não era só porque o pai partiu que a família tinha que desmoronar // a mãe disse isso // nunca entendeu os motivos do marido // preferia pensar que demónios tomaram sua alma // ao invés de perceber que o demónio sempre estivera nela // o pastor tentou tirar // ficou excitado na hora // disse que o corpo reagia ao estremo // deveria estar imaginando sua mãe nua // coisa que ela nunca intendeu // ela recordou tudo isso sentada naquele sofá mofado // buscou na geladeira a ultima pedra de gelo // pra botar no vinho quente // barato como ela // fitava os moveis como se eles fossem gente // vendo em cima de cada um deles seus piores amigos e os melhores inimigos // vendo seus demónios ali, bebendo com ela e fazendo caretas // nem eles aguentavam o cheiro de mofo // preferiam cheirar enxofre // dai ela se deu conta // nos moveis estavam todos // menos o pai // o pai estava no teto // balançando como sempre // e um berro para embalar // o vinho acabando e ela sobrea demais para o suicídio // pra falar a verdade .. até o suicídio acabou tornando-se tedioso diante do mofo // alma necrosada cheirando a mofo //


bom, não tinha imaginação para falar de temas comuns na minha vida ..
dai comecei a criar uma personagem qualquer .. refletida em tudo que eu temo me tornar mas no fundo me excita ..

o Rian disse estar preocupado com as coisas que escrevo, but don't worry .. essa não sou eu realmente .. é só um reflexo de uma alma com necrose ;}

amo você ,*

Mandando cacos direto na sua coluna vertebral
É algo que você está tão propenso a adivinhar
Você estava melhor nas mentiras ( Eu nunca estava surpreso)

No caminho que se sentiu
Agora sinta a lâmina
Eu era sempre insano
Mas agora você é o único que precisa de ajuda
Respirando lentamente
nunca se preocupou comigo
Eu corto a goela da traição para ver ele sangrar
Um apaixonado soneto poético que eu grito para o céu
Eu estou rasgando em pedacinhos, eu sinto seu amor
não me deixe para trás
O cheiro da vaidade se foi
Eu segui as luzes da rua até que eu cheguei em seu lugar
Nós localizamos nossas veias, nós sangramos por um dia
A corrente era forte o bastante para esta noite
Eu não posso saborear mais nada ultimamente na minha língua
Você não era forte o bastante para dizer

Th.Morgan_

Comentários

  1. de volta no seu estado de "morte mofo solidao e rebeldia"........é nao preciso preocupa nao, voce ta normal hsuhauhs

    gostei da historia, estava torcendo pra mulezinha se matar no final =/

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  2. Meu Deeeus!
    De onde você tira essas coisas?
    Eu fico impressionada com isso,
    parece que sua mente é um poço
    de idéias e que cada dia que passa
    a gente pode ter um pouco mais de
    bagunça pra virar História! ;D

    Beeijo ;*

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  3. ...necrose da alma...tem algo ferido ou repudiado ai dentro minina?

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  4. Thamara , você me impressiona ! Todos os seus posts tem algo impressionante , que me deixa sem palavras , a maneira como você escreve é indescritível ! Caraca , so amiga de uma escritora *_*
    auhsuashuahsuahsas
    beeijos ;**

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  5. ufá !
    ler isso tudo e se manter em um equilibrio próprio é praticamente impocivel. tipo, eu me pergunto todas as vezes que venho aqui: o que você tem ?! não sei se é um estado normal ou anormal, mais para você deve ser normal conviver com isso. ai eu começo a questionar o modo que eu vejo a vida e o mundo. cara, já me disseram uma parada que eu sinto a nessecidade de te dizer agora. e por incrivel que pareça eu já passei por um momento obstruo e nevasto desses e alguma coisa em mim te intende, e eu sinto isso bem na epidérme da minha alma: "Se algum dia você quizer renovar e refazer o que há em você, simplismente olhe diretamente para você e não para a sua sombra. ela sim é o teu espelho mais não é o teu refúgio. é fato que o ser humano não tem luz própria, mais também é fato que ele produz luz, ou será uma breve ilusão ótica que faz os apaixonas verem estralas e arco-ires pos todo lado?. mais do que tudo o bem esta no que voc~e é e ninguém tem o poder de interferis ou inibir a luz que você pode produzir!" ..se voc~e não entender nada, não liga não. nem eu entendi no ínico, só busquei seguir o que meu coração falava, e com o decorrer do tempo talvez você ache algum sentido !

    Beeijoooos ;*

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  6. ''fitava os moveis como se eles fossem gente // vendo em cima de cada um deles seus piores amigos e os melhores inimigos // vendo seus demónios ali, bebendo com ela e fazendo caretas''

    demon \,,/

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  7. Então vc tem medo de ficar esquecida,sozinha!Quando vc diz mofo,quer dizer esquecido,então vc não quer que seja esquecida,deixado ao mofo.Eu acho que o suicídio é a fuga dos covardes!Como diz a música "Saida de emergência"!

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  8. talves não seja você, mais alguém vive ai dentro,

    qem procura asha, talvez a velha vida das tuas personagens sejam uteis a alguém, talvez não.

    pensemos qe oqe escreve sai de dentro de nós, portanto ela mora ai.

    :* escrivã,

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  9. idéas desunidas ,desarranjadas,verdadeiras,anexadas,á um grande raciocínio,lógico abstrato!

    Parabens!

    http://murilloleal.blogspot.com/

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