hipérbole

- eu gosto da palavra;

o que acontece quando se sente arranhar o próprio coração, e partir-se em dois na hipérbole do enfarte ?
-
você senta na chuva e sente pingar em você a ceiva divina de algo obsceno.

sente-se digerindo os livros que você não leu realmente.
olha no reflexo do próprio chão, a raiz de um objeto absorto no escuro, ensurdecendo com o timbre pecaminoso de quem fala a verdade.
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uma vez você deu-lê uma estrela .. algo que provavelmente os olhos perderiam, mas a busca e o anseio por encontrar o objeto que permanece estático e morbidamente perdido num universo apenas para ser encontrada novamente, a graça de dar-lhe um presente não meu me impressiona pela intensidade do furto, pelo cálice absurdo que se toma o entregar algo que a ti nunca foi bendito.

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Em troca ofereceu-lhe a lua, sugestiva atração e confortável sorriso. deu-lhe a opção de rejeitar,não devia arriscar o próprio coração assim, não devia deixar queimar tal fraqueza que sempre manteve imersa no próprio orgulho. é claro que ela aceitou.

Obviamente a lua seria o objeto mais fácil de encontrar, com exceção das noites nubladas.um satélite apenas, que não irradia luz própria e sim se aproveita da condição do sol de não ter a opção de se manter frio e triste por um minuto de sua longa jornada por ai.
-

no final, você para a beira de um ónibus e percebe o valor das duas coisas.
então entende que nenhum dos dois pode ser completamente feliz.
um por ter que procura-la no meio de tantas outras.
outra por não ter tal objeto sugestivo sempre.
mesmo morando no topo do mundo, ezalando o aroma da felicidade, há o barulho ensurdecedor que é cair .
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mesmo no final, você abre a porta da própria casa e pensa 'eu poderia viver isso pra sempre' .. e acaba dormindo com um sorriso aflito e um nó na garganta por presenciar o evidente crime natural que é esta sendo consumido por tal sentimento ..
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talvez eu seja uma romântica nata.
alcoolizada pela poesia da luxuria aguda, apalpando com a ponta dos dedos a própria felicidade e acariciando com o liso dos pulsos com a lamina de uma realidade sordida . talvez eu tenha realmente dor de cotovelo, mas eu já não sei onde fica cada parte do meu corpo porque eu me derreti e me fundi ao paladar de folhas e capim, sujeita a imaculada suavidade salgada do tempero de amor e pecado.
talves eu tenha me perdido nisso tudo.
ou talvez eu precise de deus.
-você não pode morrer primeiro ..

-eu não vou aguentar se for a ultima
-é como bancar o forte
-então vamos juntos.

Th.Morgan ? nem parece mais .

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