Hoje mesmo
um incansável dilema me toca enquanto observo meu rosto umido contorcido no espelho.
vejo então que nasci órfã, de tudo mesmo, principalmente dos próprios sonhos.
me deram de presente nós pra encaixar na garganta, e de verdade, eu nunca os quis usar.
as minhas escolhas e decisões interferem no que sou, ou escolhi ser hoje, mais quem disse que isso ajuda ? quem disse que quando você chega aos 15 anos tem que parar de agir como se sua infância não importasse o suficiente, e álcool e drogas o fizessem realmente feliz ?
admito: não sei o que é felicidade, também não sei o que é verbalizar isso .
eu sou o súbito e o inconstante tremor desatino, que você estampa na cara na hora que quer ser corajoso e forte, bom e bonito, caridoso e amargo.
toda vez que me sinto ligeiramente alegre, penso em voz alta e erro. digo a palavra magica, sagrada, que só um ser humano fútil pronunciaria. as silabas tocam o céu da minha boca junto a língua, o som ecoa sob meus dentes e como saliva cuspo então, o terrível veneno da humanidade : Fe-li-ci-da-de repito, e ai tudo desmorona, e um cata vento de misericórdia desaba sobre mim junto com culpa e desgosto, porque eu sou o único ser humano, que foi mal dito com esse bem dizer, ilicitamente julgado como culpado e destruidor do próprio destino por blasfémia. eu gosto como as lágrimas tocam minha boca agora, eu sinto denovo essa familiar sensação de solidariedade a mim mesma, e eu ouço com clareza os espíritos tricotarem dizendo ao pé do meu ouvido: 'tadinha, a pobre órfã envelhecida pelo tempo ajoelhada ali, implorando por um julgamento que nunca pediu, nascida de maldição e jurada como pagã'
e que tenha o dito, amém.
eu amo muito mesmo o meu pai, mesmo que seja ele quem não esteve lá pra presenciar a minha tragédia.
Thamara Maciel
Acho que eu nasci com esses nós ai tha...
ResponderExcluirBjoooos
Seu blog é foda! :)
ResponderExcluirbeijunda :*
:D bjs .
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