trilhos de trem

estranho escrever sobre isso, como foi dizer à você. mas você sabe a que distancia estamos. sabe que é tarde. parei naquela noite, contando moedinhas e soltei um : me sinto só ao seu lado. balbuciei minhas incertezas esperando que você as entendesse, fiz mal. uma frase para nós dois, sempre : " hoje vejo agente como trilhos de trem, vivendo vidas paralelas ". o que eu não te disse era que não queria assim. não queria acordar com a absoluta certeza de tua ausência, me acostumei a errar, a não te esperar de manhã, e te encontrar ao meu lado, mesmo que com certa procura, me acomodei. sinto por ter que fazer essa avaliação tão calculadamente reduzida sobre nós dois, trilhos de trem. então, colocando-nos em cena : eu de um lado, você de outro. uma distancia significativa, até demais. não tão longe para não nos vermos, nem tão perto para nos tocarmos. posso escutar a maquina se aproximando, sacudindo minhas estruturas, amedrontando não só meus pensamentos, mas todas as horas do meu dia até sua chegada. ondas de dor começam a invadir meu corpo sem pedir autorização, são os vagões. sinto todo o peso do objeto de ferro sendo prensado sobre mim. a ferrugem sobre meus cabelos me lembra do que realmente sou, me acorda para o fato de que me prometi, não chegar a tal ponto. infelizmente, te vejo ao meu lado, passando pelo mesmas torturas, mas conformado, quase sorridente, dizendo coisas e se forçando a acreditar que você aguenta esperar até o ultimo deles. aguenta o peso de mais 100 dias, meses, vagões. o que não se espera é nosso amor se jogando na frente da locomotiva, deitando sobre nós dois em silencio, esperando morrer. improvável é pensar que o trem passou, e acaba por fatiar os pedaços do que lutamos tanto pra construir. alguém vai juntar. jogar no lixo, e continuamos aqui, paralelos.

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