no silencio de um abraço

percebo que a vida acontece assim, em momentos em que não nos damos conta, o vazio transborda e você é envolvida por braços que não são os teus, mas que poderiam vir a ser, sem problema algum, pois o sentimento ali presente te torna dona, merecedora, e livre para receber o aconchego do abraço de quem te ama. tenho vivido dias curtos, saído com expectativa de nada, e voltado exatamente assim, de mãos abanando. essa busca vã por reencontro, recomeço, reconciliação, só me leva ao precipício. esse delírio inútil de que algum dia, na monotonia de um sábado a tarde, o telefone possa tocar ou num devaneio mais profundo, a campainha. dizem que compreendemos o amor apenas por um olhar, e sim, acho viável, porém a expectativa do amor em olhos estranhos torna dolorosa a procura pelo que se deseja. desisti disso tudo. fico então com o simples, prático. amar e ser correspondida. o projeto amor nascido em meu peito pode vingar e espero ansiosamente que aconteça, porque todos nós sabemos que não há nada mais gostoso do que reciprocidade. e apenas isso não basta. atos, gestos, coisas nas quais conseguem arrancar de mim um sorriso, uma atenção que não apenas é permitida, mas também obrigatória pois atenção ao amor merecido é o motivo pelo qual o ser humano se contorce em promessas e mentiras nos dias atuais. então num segundo, fechando os olhos apertados, imaginando nuvens, fogo, lençóis, permito-me envolver em seus braços, permito amar-te, me permito o calor que emana de seu peito e te permito o meu calor. nada melhor que amar e ser amado. nada melhor do que mentir, até que esta se torne verdade. nada melhor do que dormir ouvindo sua respiração e acordar com você ao lado. nada melhor do que sentir, no silencio de um abraço, na saliva de um beijo, no estalar de uma gargalhada, o amor. nada melhor que isso. o resto é complemento.

Thamara Morgan

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