Tanto que forjei asas nos seus pés, ondas pra levar
eu sei que vai lembrar do céu naquela tarde em que te fiz chorar, vai guardar as cores, as ondulações das nuvens, o vento naquele exato momento. vai forçar a memória em meu rosto, mas esta falhará. pouco tempo você me fitou nos olhos, por muito segurou minhas mãos. mesmo nos últimos suspiros de nosso enredo, quis teus dedos entrelaçados aos meus, pensei em não me esquecer das medidas de sua palma, dos nós, a unha sempre roída, a forma como deixava a pele encontrar na minha, mãos finas o suficiente para sentir a pulsação, de nós dois, ainda em sintonia. "Eterno, é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata" como disse Drummond, por isso tentei memorizar o máximo de reações possível, a forma como tudo desabrochava como num botão em flor, só que o tempo não me foi suficiente. assim como você, forçarei a memória, enxugarei algumas lágrimas e prosseguirei a cada dia, me assustando com a possibilidade da sua presença, mesmo ausente, em tal lugar, tal carinho em tal hora, viverei o tal, serei tal. combinarei comigo mesma horas pra te ver, te falar, te soltar, medirei com cuidado meus passos, para não tropeçar na dor, no tormento, que acabou aliviando meu coração, mesmo este sendo embalsamado pela sua falta. falta consentida, não sei se benéfica, mas triste. como todos os fins são, me deixando aqui, sentada a beira da calçada, como você previu.
- Na minha memória, tão congestionada - e no meu coração - tão cheio de marcas e poços - você ocupa um dos lugares mais bonitos. Caio F. Abreu.
de verdade, Thamara Morgan.
- Na minha memória, tão congestionada - e no meu coração - tão cheio de marcas e poços - você ocupa um dos lugares mais bonitos. Caio F. Abreu.
de verdade, Thamara Morgan.
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