domingo traz saudade
procurei minuciosamente pela trilha sonora daquele momento. meus olhos registraram cada instantes, e observaram as formas, tão distorcidas em sua presença. o mundo sempre fica assim. enquanto detalhes iam embora me deparei com você denovo, como da primeira vez, te re-conhecendo. esqueci de pensar se isso era bom. apertei os olhos para despistar as imagens, apagar os resquícios, me concentrar, apenas, em sua voz. respirei fundo três vezes. dai estava pronta. quase sorri ao abrir os olhos. e você não estava mais ali.
primeiro ato: o casal ocupando uma das mesas de um café sujo e barulhento da cidade, a madeira da cadeira esta descascada, e apenas a xícara dela esta sendo usada. conversam.
ela: - chegamos a ser felizes sabe, em um momento inoportuno e até desapercebido, eu me lembro de estar feliz.
ele observa em silencio as palavras fazendo efeito na distancia dos dois. esperando uma resposta para uma pergunta que ao menos foi feita ela diz, como se tivesse repetindo algo relevante, aquele aviso de " tomecuidado" ou " mandenoticias", que faz diferença depois de um certo tempo de ausência. :
- não sei o que sobrou, não sei o motivo de estar aqui, não sei o mal que a saudade vai me fazer se eu levantar e partir para sempre. eu esperei do amor as melhores coisas, e tudo que recebi foi a distancia. aquela vontade de encostar o rosto no vidro para sentir e tocar a paisagem, mas a janela não abre, nunca abriu.
ele demora para receber as palavras novamente, mas dessa vez move os lábios: - como pode afirmar que fomos tocados pela alegria se ao menos você conseguiu me alcançar ?
ela sorri e responde: - mas não é esse o intuito do amor, da vontade ? estar próximo o suficiente para querer estar mais, e estando mais, estar feliz. mas isso passa, logo algo chega e afasta agente denovo. é assim que funciona.
ele : - essa distancia, esse espaço, esse tempo, te fez me amar menos ?
ela : - não, me fez amar diferente. me fez te amar ai, do outro lado do vidro. como um vestido que eu sempre quis usar, mas tudo que pude ter foi o reflexo dele em mim, graças a vitrina eu sei que pude ter e amar você. mas me cansei. é insuficiente.
ele: - e o que eu faço com tudo que dizemos, que fizemos, com as lágrimas. o que faço com a sua voz, teu cheiro ?
ela não acredita, de verdade, que ele possa lembrar de todas essas coisas, acredita na vontade, mas não no que posto está. ela diz que o ama e ele diz também. e entre outras coisas os dois se sabem ali, um com o outro, apesar da mesa, do vidro, da xícara de café soltando fumaça que separa os dois. os dois se sabem juntos.
ele: - eu acho que é isso então, você vai embora porque quer. e eu vou ficar, porque nada vai mudar eu sei.
e pela primeira vez em muito tempo ela não tem o que dizer, e a ausência de palavras faz com que as dele a toque, ela tinha saudade disso também.
ele abre a bolsa dela, pedindo licença, mas abre. invade como sempre todo o intimo, pega uma caneta verde. ela não entende. e é quando tudo acontece. ela fecha os olhos apertados. e quando abre ali esta. a falta dele. uma caneta sobre a mesa. e no papel que impede as manchas na madeira esta escrito :
EU TE AMO !
e é só. alguém na mesa ao lado escuta o som de papel sendo rasgado, ela termina o café, e vai embora.
thamara
primeiro ato: o casal ocupando uma das mesas de um café sujo e barulhento da cidade, a madeira da cadeira esta descascada, e apenas a xícara dela esta sendo usada. conversam.
ela: - chegamos a ser felizes sabe, em um momento inoportuno e até desapercebido, eu me lembro de estar feliz.
ele observa em silencio as palavras fazendo efeito na distancia dos dois. esperando uma resposta para uma pergunta que ao menos foi feita ela diz, como se tivesse repetindo algo relevante, aquele aviso de " tomecuidado" ou " mandenoticias", que faz diferença depois de um certo tempo de ausência. :
- não sei o que sobrou, não sei o motivo de estar aqui, não sei o mal que a saudade vai me fazer se eu levantar e partir para sempre. eu esperei do amor as melhores coisas, e tudo que recebi foi a distancia. aquela vontade de encostar o rosto no vidro para sentir e tocar a paisagem, mas a janela não abre, nunca abriu.
ele demora para receber as palavras novamente, mas dessa vez move os lábios: - como pode afirmar que fomos tocados pela alegria se ao menos você conseguiu me alcançar ?
ela sorri e responde: - mas não é esse o intuito do amor, da vontade ? estar próximo o suficiente para querer estar mais, e estando mais, estar feliz. mas isso passa, logo algo chega e afasta agente denovo. é assim que funciona.
ele : - essa distancia, esse espaço, esse tempo, te fez me amar menos ?
ela : - não, me fez amar diferente. me fez te amar ai, do outro lado do vidro. como um vestido que eu sempre quis usar, mas tudo que pude ter foi o reflexo dele em mim, graças a vitrina eu sei que pude ter e amar você. mas me cansei. é insuficiente.
ele: - e o que eu faço com tudo que dizemos, que fizemos, com as lágrimas. o que faço com a sua voz, teu cheiro ?
ela não acredita, de verdade, que ele possa lembrar de todas essas coisas, acredita na vontade, mas não no que posto está. ela diz que o ama e ele diz também. e entre outras coisas os dois se sabem ali, um com o outro, apesar da mesa, do vidro, da xícara de café soltando fumaça que separa os dois. os dois se sabem juntos.
ele: - eu acho que é isso então, você vai embora porque quer. e eu vou ficar, porque nada vai mudar eu sei.
e pela primeira vez em muito tempo ela não tem o que dizer, e a ausência de palavras faz com que as dele a toque, ela tinha saudade disso também.
ele abre a bolsa dela, pedindo licença, mas abre. invade como sempre todo o intimo, pega uma caneta verde. ela não entende. e é quando tudo acontece. ela fecha os olhos apertados. e quando abre ali esta. a falta dele. uma caneta sobre a mesa. e no papel que impede as manchas na madeira esta escrito :
EU TE AMO !
e é só. alguém na mesa ao lado escuta o som de papel sendo rasgado, ela termina o café, e vai embora.
thamara
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