sub entendido

é a terceira vez que começo um texto e não termino então não sei quanto tempo este vai durar. acordei tarde e não lavei o rosto quando acordei, e nem tirei a maquiagem antes de dormir, o passado tem ficado preso ao meu rosto como poeira sobre os móveis da casa. um gosto de lágrima no funda da garganta levantou da cama junto comigo, depois do mesmo sonho, repetidas vezes, o filme que passa em minha cabeça pela manhã começa a fazer sentido, isso é péssimo.

'vivemos esperando dias melhores, melhores no amor, melhores na dor, melhores em tudo' (8)

as vezes a única coisa que nos faz sentir falta é o sossego, quando o coração dela andava quieto demais, seguindo um compasso de dias e horas incansaveis e intermináveis, foi ai que ela sentiu sua falta. as mãos não tremiam nem suavam mais, os gritos foram substituídos por lágrimas desnecessárias, e a dor se tornou algo vital para a respiração e mobilização dela. não dava mais para caminhar sem aquele peso tão natural. o arrependimento costuma manchar as pessoas. sujar a pele, o olhar, o sorriso. sei que ela preferiu deixar um borrão em seu humor à te beneficiar com um "eu te amo", e talvez quem sabe isso não a tenha feito alguém mais triste ainda.
pude escutar uma sonoridade oca vindo como se de uma porta fechando, escorregando o trinco pela fechadura, endurecendo e por fim, cerrando e rompendo toda a musicalidade que cabia ao outro lado, eu soube naquele momento que aquele era o som do silencio. algumas coisas que não dizemos e que nos sufocam poderiam transformar tudo que acontece hoje, talvez se o que ela realmente pensava fosse entregue, talvez se ninguém tentasse reprezar aquela onda gigantesca tentando alcançar seus pés, talvez se algo chamado orgulho os deixasse, talvez, eles poderiam ser felizes juntos em verdade, sem fazer força para escutar o que sempre fica subentendido.

thamara

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