esquecimento

aquela caixinha vermelha no canto do quarto, imóvel, deficiente, carente e apesar da cor vibrante, imperceptível. assim acontece na vida da gente, os dias vão passando, as horas .. e aquilo que gostávamos tanto acabamos por deixar de lado, pensando cada vez menos, notando cada vez menos, substituindo.
o esquecimento é doloroso para alguns, para outros é necessário. não sei medir ao certo o que prefiro, mas é dessa maneira que acontece, sem querer.
eu costumava me agarrar a lembranças que guardo até hoje no peito, mas quem disse que este também não é uma armadilha ? tanto carinho, tantas recordações, tantas coisas fui empurrando para dentro de meu coração que os objetos antigos, as quinquilharias, ele colocou dentro de uma sacola e jogou fora sem me contar. as vezes nem me dou conta do espaço vazio, outras o inexistente arde dentro do meu peito como uma ferida que não consigo encontrar.
Não é maldade do meu inconsciente fazer isso, é só necessidade, reciclar sempre a vida, renovar.
sabe aquele pedaço de papel, aquela embalagem de bala, aquela fotografia antiga, aquele fio de cabelo, que de nada vão servir mais guardamos, então .. são coisas mais importantes que somem, transbordam no vazio e não consigo encontrar de fato e minha memória falha. estou certa de que apesar de amar muito algumas coisas inúteis, as vezes elas se perdem na mudança, deixando espaço para a minha saudade ou meu esquecimento, depende.
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