Reflexão


Nós seres humanos temos mania de dominação, queremos o controle de tudo e todos e o escape disso nos frusta, entristece, nos faz sofrer. Acontece que nem sempre algumas escolhas dependem da gente, acontece o tempo, acontece a idade, acontece o destino e as vezes não acontece. Muitas vezes me pego mapeando meus próprios passos, prevendo as minhas próximas pegadas e torcendo pra tudo sair nos conformes, mas nada nunca sai do jeito que queremos. Com as responsabilidades coube-me o amadurecimento e através deste parei de tentar prever, a vida me surpreendeu tantas vezes que as certezas do caminho deixaram de ser prioridade. Ando olhando adiante sempre, mas o problema dos planos é que algumas vezes não aproveitamos o presente por conta do futuro, nos contentamos com o fato de que logo tudo que está acontecendo seja bom ou mal vai acabar se esvaindo e sendo apenas transição, nada mais. Acontece que percebi com o passar dos dias que o casulo também é importante, para que se forme algo novo e perfeito é preciso passar por etapas, superar alguns obstáculos e dar atenção ao que se tem na mão. Não tenho vergonha de dizer que sou uma pessoa apaixonada, indecisa e confusa, admiro tanto o por do sol quanto posso admirar alguém, o calor do tempo, um abraço de despedida, um sorriso de bom dia, não passam mais desapercebidos pela minha existência. A gente começa a dar valor quando perde, mas aprendi a apreciar o que tenho hoje, plantando para colher bons frutos, mas sem ansiedade quanto ao que o futuro me reserva. O amanhã vai ser como tem que ser, suar para tentar moldar isso é perda de tempo. Não estou tentando domar minha vida como antes faria, é mais fácil ser paciente na inconstância do que correr para tão longe da minha realidade que a vida acaba turva, cega. Deixo ser o que há de vir, vou estar aqui esperando o acaso acontecer, deixa ser como será.



Thamara, 2013.

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