Concluindo um ciclo muito antigo

Oi gente, tudo bem? Aqui é a Thamara, talvez esse blog nem esteja mais no ar, mas acho importante fechar uma porta à muito tempo aberta. Eu tinha quatorze anos quando comecei a escrever aqui, eu era uma adolescente, cheia de problemas, traumas e queria me expressar de alguma maneira. Sinto que isso aqui salvou minha vida em muitos sentidos. Porquê era uma valvula de escape para mim, um meio de me não absorver tanto tudo que estava passando. Eu falava muito sobre dor, tristeza e amargura por aqui. Era algo que eu carregava desde à infância, no meu subconsciênte. E na adolescencia isso aflorou de forma desconexa, projetada em outras situações da minha vida e somada à um excesso de raiva e frustação inevitável. Eu posso dizer que eu era uma adolescente privilegiada, mimada até certo ponto e beneficiada por uma família de classe média e sem problemas primários como fome, violência e falta de moradia. Mas o meu problema estava relacionado à minha constituição familiar, meus pais se separaram eu tinha apenas 5 anos e não foi fácil pra mim viver dividida entre duas famílias. Posso perceber, revendo tudo que eu escrevi, que minha frustação se dividia entre um excesso de agressão física, desconfiança, descaso por parte da minha mãe. E uma ausência e subordinação de pai. Minha figura paterna era insólida, porquê meu pai era um cara novo, preocupado com outras coisas e não com a família e essa ferida estava aberta em mim. Engraçado que eu nunca olhei pra mim desse jeito, nunca quis pensar muito no que eu estava passando em casa, eu projetava muita coisa nos meus relacionamentos com amigos e namorados. Não foi fácil, pra mim e nem para as pessoas que estavam em volta, lidar com a minha adolescencia. Foi difícil demais ser tão rebelde e não saber o porquê. Eu era uma das mais criativas e inteligentes da minha turma, mas eu rejeitava tudo que era positivo de alguma forma. Me tornei emo, pra sofrer em paz, pra chorar em paz e pra ter uma desculpa pra me sentir tão triste e sozinha. Mas eu vejo que foi bom, mesmo eu tendo perdido uma parcela da minha infância, da minha criança interior nesse percurso, eu me sentia bem em pelo menos demonstrar que estava frustada. Mesmo sem saber o porquê. Eu voltei os textos até o início e percebi que eu supervalorizava a opinião das pessoas, mas eu me expunha. Vou te dizer, isso não parou. Eu continuo me expondo, só que dessa vez de uma maneira centrada e buscando causar nas pessoas sentimentos positivos. Eu sei que meus leitores tinham uma posição desconfortável, me liam por curiosidade e ao mesmo tempo se preocupavam comigo. Com razão, eu falava em morte toda hora, eu precisava de terapia, eu precisava transmutar a dor e aqui foi um local de abrigo. Eu sou grata por ter escrito, porque eu não tinha compaixão por mim mesma, eu não me via, mas apenas projetava sentimentos como se fossem causados por outros, mas era eu que carregava o problema. Quantas vezes eu reclamava dos outros, que os ciclos se repetiam, mas eu não mudava, eu revivia meus traumas toda vez. E pra melhorar, ao invés de ler, assistir e ouvir coisas que me curariam, eu queria saber de coisas que me deixavam mais triste, mais complicada, que aprofundavam mais minhas feridas. É difícil eu olhar pra mim assim, mas você imagina você disfarçar uma depressão e ansiedade desde os 14 anos?! Hoje eu tenho 27 quando tomei compreensão de tudo e posso garantir, hoje eu me entendo mais, eu me respeito mais e eu tenho mais compaixão comigo. Hoje eu faço terapia, coach e busco à Deus pra me curar. Você imagina carregar por 13 anos feridas de uma criança interior abandonada, calada e machucada pra caramba, não é nada fácil. Mas tudo bem, eu não sou mais a vítima dos meu sentimentos, pelo contrário, através deles eu desenvolvi uma força surreal para enfrentar situações inimagináveis que passei desde então. Por muito tempo eu não entendia o silêncio. Porquê eu tinha parado de escrever? Seria porquê eu tinha parado de sangrar? Creio que não, acho que eu parei de escrever porquê não tinha mais ninguém pra ler, não tinha mais amigos, ninguém suportava e eu afastei as pessoas. Preferi me mascarar de outra coisa, de uma outra pessoa. Vou contar um pouco sobre quem me tornei e vocês vão saber, em fim, porquê parei de escrever. Eu vivi muito e compartilhei pouco aqui, mas esse silêncio me prejudicou, eu deveria ter escrito e postado mais. Eu fiz de acordo com a consciência que eu tinha e hoje se eu pudesse dizer algo pra aquela menina, adolescente, seria: Oi Thamara, preciso te contar o maior dos segredos sobre você. Não precisa fazer as coisas pra agradar os outros, não precisa implorar pra gostarem de você. Busque entender quem você é hoje, aproveitar mais seus avós, brincar mais e tirar o melhor do que restou da sua infância. Pare de procurar nas pessoas de fora uma solução pra sua dor, pare de projetas nas figuras masculinas o seu pai, pare de projetar na suas amigas o cuidado da sua mãe. Tente entender que a culpa não é sua, você não precisa se esforçar pra nada, deixe o rio fluir e foque nas suas descobertas. Sua primeira vez em muitas coisas acontecem nessa fase da vida, procure se divertir e desfrutar dessas memórias. Não se esforce tanto, não fique tão na defensiva e não crie um bloqueio tão grande de confiança que te obrigou a ser forte. A sua força na verdade se tornou uma couraça, se tornou uma insensibilidade e um silência inespressivo. Você pode mais, você não é o que você assistiu na tv ou leu em um livro, você é única. Acredite, você ainda vai viver muitas coisas boas e o mundo ainda vai ser um lugar de muitas experiências pra você. Eu sinto orgulho de você, porquê você aguentou, mesmo sem entender, muita coisa em casa, muitos sentimentos difíceis, mesmo tendo um coração tão grande. Eu sinto orgulho de você porquê mesmo ferida você foi boa, na maior parte do tempo né. Perdoe quem te feriu, guarde um pouco mais seu coração. Eu to te esperando do outro lado, daqui a alguns anos, pro nosso reencontro e tenho certeza que você será feliz, realizada e bem sucedida. Como você sempre quis. Obrigada por não desistir, eu dependia disso e sem você eu não seria eu. Você é uma maravilhosa menina, não precisa se humilhar pra caber na vida de ninguém. Você nunca estará sozinha, Jesus tem um plano especial pra você, algo verdadeiro e além das suas expectativas. Não tente controlar mais nada, não se fruste, só continue sem se autoflagelar. Você será muito feliz em breve. Eu te amo e vou cuidar de você pra sempre. Se cuida. De Thamara Taciano Para Thamara Morgan

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